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Por Alênio Honório · 03/11/2026

Detergente sendo despejado em uma esponja verde sobre a pia

Detergente é o produto de entrada de quase toda fábrica de produtos de limpeza. Vende toda semana, tem processo simples e cabe em qualquer mercado: casa, restaurante, condomínio e empresa.

Mas existe uma diferença grande entre o detergente "de receita da internet" e o detergente profissional, que sai igual em todo lote e pode ir para a prateleira com nota fiscal.

Eu fabriquei detergente em escala na minha fábrica no interior da Bahia. Neste post eu explico o que vai no produto, por que cada matéria-prima está ali, a ordem de produção e o que a lei exige para vender.

As matérias-primas de um detergente profissional

Um detergente lava-louças é, basicamente, água com tensoativos e alguns aditivos. Cada um tem uma função:

Matéria-prima Para que serve
Ácido sulfônico (ácido dodecilbenzenossulfônico, o LAS) Principal tensoativo: tira a gordura
Soda cáustica (hidróxido de sódio) Neutraliza o ácido sulfônico e acerta o pH
Lauril éter sulfato de sódio Segundo tensoativo: mais espuma e mais suavidade para as mãos
Amida de coco ou betaína Reforça a espuma e ajuda a dar corpo
Cloreto de sódio (sal) Ajusta a viscosidade
EDTA Sequestra o cálcio e o magnésio da água dura
Conservante Impede fungo e bactéria no produto
Corante e essência Cor e cheiro, que vendem o produto
Água Veículo de tudo

A quantidade de cada uma define o teor de ativos, o rendimento e o custo. É aí que mora a diferença entre o detergente que rende e o que é só água com espuma.

A ordem de produção

A ordem importa tanto quanto a fórmula. Uma sequência típica:

  1. Água no tanque, com o agitador ligado em rotação baixa
  2. Ácido sulfônico, devagar
  3. Neutralização com soda, aos poucos, conferindo o pH
  4. Lauril éter sulfato, sem bater demais para não fazer espuma no tanque
  5. Amida ou betaína
  6. EDTA e conservante
  7. Corante e essência
  8. Sal por último, em pequenas porções, até a viscosidade certa

Cuidado na etapa 3. A neutralização do ácido sulfônico com soda libera calor. Adicione devagar, com agitação, usando luvas, óculos e avental. Soda e ácido sulfônico queimam pele e olhos.

Cuidado na etapa 8. O sal engrossa o detergente até um ponto. Depois desse ponto, mais sal afina o produto de novo. Adicione aos poucos e teste a cada porção.

O controle de qualidade de cada lote

Detergente que vende é detergente que sai igual. Em todo lote, confira e anote:

  • pH, dentro da faixa da sua fórmula
  • Viscosidade, com um teste simples e sempre do mesmo jeito
  • Aparência: cor, transparência, sem partícula
  • Cheiro, comparado com a amostra padrão
  • Lote, data e quem produziu

Guarde uma amostra de cada lote. Se um cliente reclamar, você tem como provar o que saiu da fábrica.

O que a lei exige para vender detergente

Fazer detergente para usar em casa não é problema. Vender é outra história. Para vender, o detergente precisa sair de uma fábrica regularizada:

  1. CNPJ com o CNAE 20.62-2-00
  2. Licença sanitária e AFE da Anvisa
  3. Responsável técnico habilitado
  4. Produto notificado na Anvisa, conforme a RDC 989/2025, que substituiu a RDC 59/2010
  5. Rótulo com as informações exigidas pela Anvisa: composição, modo de usar, precauções, lote, validade, fabricante e responsável técnico

Vender detergente sem isso, em garrafa sem rótulo, é o caminho mais rápido para perder a mercadoria numa fiscalização. Veja o que diz a lei sobre fabricar produto de limpeza em casa.

Detergente para quem?

A fórmula muda conforme o cliente:

  • Varejo: cor, perfume e frasco bonito pesam na escolha
  • Restaurante e cozinha industrial: mais ativo, mais desengordurante, galão de 5 L
  • Condomínio e empresa de limpeza: rendimento e preço por litro

Escolha o cliente primeiro e ajuste a fórmula para ele.

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Perguntas frequentes

Quais as matérias-primas do detergente?

As principais são ácido sulfônico neutralizado com soda, lauril éter sulfato de sódio, amida de coco ou betaína, sal, EDTA, conservante, corante, essência e água.

Por que o detergente fica ralo?

Pode ser pouco ativo, pouco sal ou sal demais. O sal engrossa até um ponto e, depois dele, afina o produto. Por isso ele entra por último, aos poucos.

Posso vender detergente feito em casa?

Não. Para vender, o detergente precisa sair de uma fábrica com licença sanitária, AFE, responsável técnico e produto notificado na Anvisa, com rótulo correto.

Detergente precisa de registro ou notificação na Anvisa?

O detergente lava-louças comum, sem ação antimicrobiana, em geral é notificado. Produtos com ação desinfetante seguem regras mais exigentes. Confirme o enquadramento de cada produto pela RDC 989/2025.

Alênio Honório

Alênio Honório é engenheiro químico e de segurança do trabalho, fundador da Scaletec e criador do curso Monte sua Fábrica de Produtos de Limpeza. Montou e vendeu uma fábrica de produtos de limpeza de 30 toneladas por mês.